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O ódio adolescente é importante. Esses dias eu tive uma briga familiar e me bateu um ódio adolescente. Diferente da maneira “adulta” que eu tenho lidado com as coisas tentando ponderar e ser superior. O “adolescente” tem dado mais as caras esses tempos, acredito que por causa das novas histórias de “Pablo e Luisão” que algumas cruzam a linha da puberdade. Um dia eu disse que a série é escrita por uma criança que não julga e eu consigo perceber nitidamente quando é o adolescente que pega a caneta. Fica triste. Fato é que é muito doido o processo de fazer essa série. A primeira temporada foi um vomitadão, inclusive com reflexos no meu corpo físico. Esses dias numa conversa sobre algumas ponderações executivas de mercado a respeito da série eu disse “eu não posso limpar tudo. Eu não posso criar uma família perfeita porque depois eu não vou saber o que fazer com ela”. Eu tiro só o que é mais difícil do público engolir, mas vai ter amargo sim. Dia desses eu disse pro meu irmão “o que é isso que a gente tá fazendo?” e ele respondeu “eu não sei, mas é algo mais próximo da arte que do entretenimento banal”. É uma organização interna. Uma reforma. Uma tentativa de botar na caixa da “arte” um monte de coisas das quais eu não posso me livrar. Como móveis velhos que, se eu pintar, posso colocar pra fora da minha casa sem passar tanta vergonha. A alegria da criança é importante, mas a revolta adolescente coloca limite e isso é autoproteção. Principalmente pra alguém que cresceu no caos, sem muros ou cercas.

Paulo, a vulnerabilidade de vocês em se expor e rir de si mesmos (quando possível) rende os momentos mais honestos do nosso audiovisual. Nada fez rir e chorar como Pablo e Luisão nos últimos anos, nem ganhar Oscar rs
Eu só posso desejar que você continue nesse caminho e que sua terapia esteja muito em dia. ❤️
Arte, e também um processo terapêutico ao transformar a tragédia em comédia. Um abraço!